O coração das boas pessoas é cheio de lágrimas guardadas. No coração das boas pessoas não cabe o sentimento de tristeza. Elas nunca dizem não e são o melhor apoio em qualquer momento de necessidade.

No entanto, quando choram o fazem escondidas porque não podem mais continuar, porque estão cansadas demais de serem fortes e suas almas necessitam dessas lágrimas para melhorar.

Esse tipo de situação de alta carga emocional é muito comum nas pessoas acostumadas a dar tudo de si por quem está à sua volta. Chamamos essas pessoas de “boas pessoas” e, ainda que todos nós consigamos separar muito bem o que é bom e o que é mau, existem determinadas personalidades muito mais aptas a gerar bem-estar aos outros. Assim, essas pessoas são mais sujeitas a ficarem sobrecarregadas, a se decepcionarem e a sofrerem emocionalmente.

Choramos lágrimas escondidas que ninguém vê, libertamos tensões, medos e tristezas em cantos escuros para não sermos descobertos, para que ninguém perceba que fomos feitos do mesmo material de todas as outras pessoas.

Choramos para nos libertar, para transformar a tensão em água salgada. Choramos para que o medo encontre o alívio e para que a tristeza se transforme em um choro capaz de consolar. A forma como fazemos isso, seja junto a alguém ou sozinhos como no caso das enfermeiras, não tem qualquer importância. O essencial é que consigamos alcançar uma cura adequada de acordo com as nossas necessidades particulares.

As lágrimas jamais serão reflexo de fraqueza, mas sim da capacidade de ser forte.
Um aspecto em que há unanimidade é que no geral são as mulheres as pessoas que costumam exercer mais o papel de cuidadoras. São elas que, com grandeza em seus corações, dão tudo a troco de nada pelos seres que amam, sejam seus filhos, seus parceiros ou suas famílias… Por isso estudos como o realizado pela Organização Holandesa para a Investigação Científica falem das lágrimas da mulher como um tipo de linguagem interior com grande utilidade emocional.
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Para concluir, as boas pessoas costumam chorar escondidas porque desse modo conseguem um maior consolo e intimidade para poderem ser elas mesmas sem uma armadura, sem uma couraça que esconde o que está por dentro. As armaduras sempre pesam e, ainda que um bom choro tranquilize e desfaça amarguras e decepções, nunca é demais priorizar a si mesmo de vez em quando e colocar limites para atender um pouco melhor o coração que, longe de ser de pedra, é de carne, sonhos e lágrimas salgadas.

Créditos: A Mente é Maravilhosa