Quando perceberes que a tua presença incomoda, retira-te. As pessoas estão tão voltadas para si, que se comportam como selfies ambulantes, visto se sentirem o centro do universo. Esquecem-se, assim, de olhar para o lado, não vendo ninguém mais a não ser a imagem muitas vezes distorcida que possuem de si mesmas. Com isso, não estão nem um pouco preocupadas com os sentimentos alheios e não conseguem perceber quando estão ser incomodas e chatas.

Deixam o cão ladra por horas no quintal, como se os vizinhos fossem surdos. Deitam lixos nos terrenos que encontram, como se não houvesse alguém a pagar impostos por aquela propriedade. Não permitem que ninguém sofra mais do que elas, não suportam ver alguém a pensar diferente e não aceitam a possibilidade de não estarem a agradar.

Muitos indivíduos acabam por perder a cabeça e não conseguem conceber a ideia de que alguém poderá deixar de amá-los, não se importando com ninguém mais, apenas com a dor que sente. Nem param para refletir que o ex possui família, amigos, e exterminam a causa da sua frustração sem titubear, uma vez que somente a própria vida tem algum valor.

Na verdade, quem só pensa em si mesmo, quem passa o tempo todo a olhar para a própria imagem, jamais terá tempo de olhar para alguém, pois sempre estará preocupado em satisfazer o próprio ego. Pessoas assim nunca terão o bom senso de perceber o que os outros esperam delas, por isso é que acabam se tornando chatas, desagradáveis e incomodas. Não se colocam no lugar de ninguém, ou seja, não entendem dos sentimentos que estão lá fora.

Ninguém conseguirá acertar sempre, nem agradar a todos. Há momentos que pedem silêncio, outros requerem algumas palavras, sendo que algumas vezes a nossa ajuda virá exactamente da nossa ausência. Precisamos aprender a olhar o outro e entender o mínimo de que ele precisa, sem que ele necessite nos dizer claramente. Caso somente estejamos dispostos a suprir as nossas próprias necessidades, estaremos continuamente a ser indesejáveis por muitos. Porque quem só vê a si próprio não se vê.

Créditos: Marcel Camargo (adaptado)