Um vírus invisível a causar estrago e ainda tem gente que se acha grande coisa. O ano de 2020 mal iniciou e já temos a pandemia do Coronavírus, o Covid-19. Apesar de inevitável, somente agora as pessoas parecem estar a dar-se conta do seu perigo real. Mas nem todas.

A questão é se antecipar ao problema, focando as causas, para que as consequências se minimizem. Se comer queijo provoca enxaqueca, não comas o queijo. Tem gente que prefere comer queijo, acordar com dor de cabeça e tomar remédios. Em vez da causa, fica combatendo a consequência. Poxa, mirar a causa é bem mais eficaz. No entanto, parece ser uma tendência do ser humano querer lidar sempre com as consequências, deixando as causas livres, leves e soltas.

Pois bem, no caso do vírus Covid-19, temos que evitar multidões, aglomerações, ficar em casa sempre que pudermos. Não dar as mãos, nem beijar no rosto. Lavar bem as mãos. É urgente evitar as consequências de um vírus espalhado, porque daí fica tudo bem mais difícil. Além disso, temos que parar de fazer estoque de comida feito doidos, não vivemos sozinhos numa ilha. É muito egoísmo pensar só em você mesmo numa situação como essa.

Aliás, egoísmo piora tudo. Portanto, mesmo que não sejas grupo de risco, ainda podes transportar o vírus até esses grupos. Não sejas transporte de sofrimento e de morte. Pensa nos outros. Pensemos uns nos outros. Donos de supermercados deveriam, por exemplo, limitar a quantidade de produtos que cada pessoa pode comprar. Provavelmente, algumas normativas de como o comércio e os locais coletivos deverão funcionar já devem estar sendo preparadas, para que não haja excessos nocivos a todos.

Nem deveria, na verdade, ser necessário tomar medidas de contenção de compras de comida, luvas e máscaras, entre outros, mas, infelizmente, tem um bando de gente que só pensa no próprio umbigo e fica leva tudo. Senso de coletividade manda lembranças. Nesse salve-se quem puder, ninguém se salva. A gente teme o vírus, mas acaba temendo também a falta de empatia de muitas pessoas.

Gente fazendo o que quer, ignorando toda e qualquer recomendação. Gente a ir à praia, a festas, a eventos. Gente estocando comida, materiais, insumos enfim. Gente que não é grupo de risco ignorando que pode levar o vírus por aí. Gente que não vê o funcionário como uma pessoa. Gente que acha se tratar de conspirações ideológicas e políticas. Gente que não liga para toda essa gente à sua volta. Pior que o vírus.

Na verdade, se as pessoas não se consciencializarem e não se decidirem por sair de casa somente o estritamente necessário, não vai ter leito para todo mundo. Não vai ter ventiladores para todos. Colaboração e consciência. Recolher-se. Quanto antes a gente se afastar, mais rápido voltaremos a nos abraçar. Ou isso, ou alguns abraços nunca mais serão dados. Quando tudo passar, a gente se reúne, faz churras e se abraça de novo.

Situações como essa, em que todos se encontram com medo, vulnerável, onde ninguém está totalmente a salvo, são difíceis, o tempo parece gatinhar. Que, ao menos, tiremos lições disso tudo. Um vírus invisível a olho nu causando um estrago mundial e ainda tem gente que se acha grande coisa. Somos insignificantes perante a grandeza do universo. Na dor, ninguém é melhor do que ninguém. O que nos iguala é o amor. Aprendam.